Desafortunada incerteza esta que me aflige, meio daninho este onde vivo. O mau trato domina o meu activo, porca quadra esta que me foi destinada. A incerteza atemoriza-me. Trava o somatório das vontades, a aspiração da fantasia. Mas o bom-senso vai mais longe do que muito conhecimento e prantear aquilo que não temos é desaproveitar aquilo que já possuímos. Contrariado me edifico todas as manhãs para sacrificar a minha vitalidade pela solidez económica. Os tempos são de crise. Recentes eleições expeliram regentes sem percepção para parir a placidez da raça. Os contratempos vêm em grupo. Os benefícios chegam um de cada vez. Mas o rio abalroa os seus propósitos porque aprendeu a circundar os estorvos. Por isso, quem tem um propósito distante tem de dar muitos passos curtos. Todos sabemos que o capital intuito da vida é usufrui-la e para coabitar bem e por muito tempo, há que ser comedido. Se comermos menos, degustaremos mais, se em vez de abarrotarmos o bolso enchermos a cabeça, não seremos roubados. Mas, como vocábulos rudes e argumentos estéreis nunca resolveram nada; Boa sorte Sr. Primeiro-ministro; não podemos contrapesar na ira a carência de razão, porque afinal de contas são os nossos “inimigos” que nos ensinam as mais valiosas lições de vida.